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REFINANDO A LÍNGUA: Eponímia – qual é o seu apelido

REFINANDO A LÍNGUA: Eponímia – qual é o seu apelido
24 outubro
14:29 2013

Eponímia

Qual é o seu apelido?

 

Ler é sagrado. Às vezes leio sem perceber. Foi numa dessas aventuras que me peguei consultando um dicionário de apelidos. Pois é… E esse livreto tem nome, chama-se Apelista. Uma lista telefônica que traz os apelidos e os nomes correspondentes de cada assinante de linha telefônica de uma pequena cidade do interior das Minas Gerais.

lista de apelidos (1)O que faz uma cidade inteira optar por reconhecer cada um de seus moradores apenas (e melhor) por apelidos? Bem, a melhor resposta está com vocês, leitores.

Se chamar pelo nome de batismo, ninguém sabe quem é, mas se falar o apelido, o reconhecimento é imediato, não é? Isso porque as alcunhas surgem através do jeito da pessoa falar, se vestir, trabalhar, rir, expressar ou da própria fisionomia.

 

Eponímia

Quando apelidamos alguém, transformamos nomes comuns em nomes próprios , exemplos: Zé do rádio, Pescocinho, Maria da lanchonete etc. Mas quando fazemos o inverso, vira EPONÍMIA. Eponímia é quando transformamos nomes próprios em nomes comuns. É um jeito de criar palavras novas (neologismo) através de nomes próprios.

Guilhotina

Guilhotina

É no campo da Ciência que mais encontramos epônimos. Na Física, as unidades de medida são designadas pelo nome do seu inventor: ampere, coulomb, gauss, ohm, volt. Na medicina, existem muitas controvérsias, mas há quem diga que os cirurgiões não vivem sem epônimos: manobra de Mueller, pinça de Abadie, sinal de Godet, entre outros. No dia a dia usamos várias, mesmo sem saber suas origens. Há algumas eponímias muito interessantes:

Carrasco: Belchior Nunes Carrasco, executor de pena de morte. Uma bela homenagem e um carma pesado!

Guilhotina: Joseph Guilhotin, médico que apenas sugeriu o uso do apetrecho inventado por outro médico só para diminuir o sofrimento dos condenados. Depois que morreu de câncer, seus filhos conseguiram permissão para mudar o sobrenome.

Bloody Mary

Bloody Mary

Bloody Mary: (Maria, a sanguinária), apelido dado à rainha Maria I da Inglaterra e que acabou virando nome de coquetel feito de vodca e suco de tomate.

Rastafári: estilo de cabelo preso em trancinhas, com gorros coloridos. Está relacionado ao Ras (príncipe) Tafari Markonnen. Símbolo de supremacia negra que combateu a opressão ao povo negro.

Diesel: o alemão Rudolph Diesel desenvolveu e patenteou o motor que leva o seu nome.

Cesariana: o imperador romano Júlio César teria nascido desta forma. Como sua mãe sobreviveu ao parto arriscado, Julio César foi “homenageado”.

Larápio: O juiz Lucius Antonius Rufus Appius decidia a favor de quem melhor lhe subornasse. Sua assinatura era L.A.R. Appius.

O epônimo é um fenômeno linguístico que se manifesta em pelo menos três classes gramaticais: substantivo, adjetivo e verbos.

A lista é enorme, a cada dia que passa aparecem novas palavras criadas através de nomes próprios. É só parar e reparar que somos cercados de palavras assim. Interessante é pesquisar o porquê de cada nome.

A língua permite um olhar bastante divertido sobre as “acontecências” do dia a dia. Se por um lado fica fácil reconhecer as pessoas pelo apelido, por outro fica difícil “eponimar” quando não se sabe o nome da pessoa.

 

 

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