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REFINANDO A LÍNGUA: IMPERATIVO – UM MODO ESPECIAL DE CONJUGAR

REFINANDO A LÍNGUA: IMPERATIVO – UM MODO ESPECIAL DE CONJUGAR
28 outubro
10:33 2013

IMPERATIVO: UM MODO ESPECIAL DE CONJUGAR

  

Manda quem pode...

Manda quem pode…

Não é todo dia que nasce um imperador e, já no longínquo tempo em que o nosso calendário nem era como usamos hoje, o líder e ditador romano Júlio César já mandava e desmandava como um verdadeiro imperador. Imperar é mandar, ordenar. Este é o mote que vou aproveitar para escrever sobre o modo verbal IMPERATIVO.

 Na língua portuguesa, classificamos as formas verbais em três modos:

 Indicativo: exprime um fato concluído como real, sem haver dúvida alguma. Ex: eu corro todos os dias. 

• Subjuntivo: expressa uma ação duvidosa, um desejo, uma suposição. Ex: se essa rua fosse minha. 

• Imperativo:  é usado para expressar um pedido, recomendação, conselho, súplica. Ex: faça o que é necessário.

  Nós não percebemos, mas vira e mexe estamos batendo de frente com os verbos no imperativo. Veja como:

Receitas culinárias: 

Brigadeiro – modo de fazer:

“Coloque todos os ingredientes, leve ao microondas, retire, mexa bem e depois coloque novamente no forno. Retire e mexa novamente até ficar homogêneo, transfira para um prato raso. Espere esfriar e enrole os docinhos.”

Todos os verbos estão no imperativo.

Bulas:

“Utilize nas partes afetadas. Aplique o produto em suaves movimentos e cubra com bandagens.” ou “Não pare de tomar o remédio sem orientação médica.”

 

Manuais técnicos:

“Verifique se a tensão indicada no aparelho está de acordo com a tensão do local.” 

 Nos textos instrucionais, o imperativo é muito perceptível, mas muitas vezes nos transformamos em pau-mandados sem ter noção disso. Quando lemos algum anúncio com imperativos, ficamos muito vulneráveis a pressões psicológicas. A indústria da propaganda e marketing é especialista nisso. Os verbos no imperativo levam o consumidor a comprar, dando a sensação de que a mensagem é dirigida especialmente a ele.  A ideia é fazer o consumidor se sentir especial. Repare:

 “Invente seu jogo” (marca de tênis)

“Não saia de casa sem ele” (cartão de crédito)

“Pense diferente” (computadores)

“Seja autêntico” (eletrodomésticos)

“Pega leve” (cerveja)

“Abuse e use” (loja de departamentos)

chefe1A formação do Imperativo

> O imperativo pode ser afirmativo ou negativo.

> Quando for negativo, é sempre precedido por uma palavra negativa.

> Os pronomes ficam posicionados depois dos verbos conjugados (canta tu)

> É indeterminado no tempo. Como se trata de uma ordem, supõe-se que se dará no futuro.

Quando conjugamos os verbos nos modos INDICATIVO e SUBJUNTIVO, usamos todos os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nó, vós, eles)

Entretanto, quando conjugamos no IMPERATIVO, acontece o seguinte:

. Nós não podemos dar ordem para nós mesmos, então não há conjugação com “eu”. Mesmo quando nos postamos em frente ao espelho e começamos a dar ordens a nós mesmos, conjugamos com os pronomes “tu” ou “você”, não é mesmo? Mas deixemos isso pra lá! O negócio é perceber que ficaria muito estranho conjugar com “eu”.

. Uma ordem só pode ser dada a quem está presente, então não conjugamos com ele, ela, eles, elas. Daí troca-se por “você” e “vocês” (que são pronomes de tratamento, lembram?)

. Se a gente não pode dar ordens pra gente mesmo, como é que existe conjugação para “nós” (plural de eu)? Porque dentro de “nós”, estão contidas “eu” e outra(s) pessoa(s). E quando a gente diz “cantemos nós”, a ordem é mais para o(s) outro(s) do que pra gente. Entendeu o lance?

Para que não pareça tão complicado, vamos só ver como fica a conjugação do verbo CANTAR. Mais tarde, dependendo da necessidade ou curiosidade, procurem pelas conjugações de outros verbos.

Imperativo afirmativo 

Note que na conjugação dos pronomes tu e vós, usa-se o presente do indicativo sem o “s”. Você, nós e vocês são tirados do subjuntivo, sem alteração. 

Canta tu

Cante você

Cantemos nós

Cantai vós

Cantem vocês

Imperativo negativo

Todas as pessoas coincidem com a forma verbal do presente do subjuntivo, sem qualquer alteração.

Não cantes tu             

Não cante você            

Não cantemos nós     

Não canteis vós        

Não cantem vocês     

Os critérios usados para o afirmativo e o negativo  são fixos para todos os verbos. A exceção é o verbo “ser”: sê tu, sede vós. 

Conjugação de verbos é um dos assuntos mais “complicados” da língua portuguesa. A questão é que, por envolver verbos, não temos pra onde fugir. Precisamos de verbos assim como precisamos de ar, então a solução é estudar e sempre procurar soluções onde for possível.

Tentei e sempre tentarei passar os assuntos de forma didática. Espero que a partir de agora vocês possam encarar os verbos com mais carinho. Na dúvida, consulte!

Vou terminar escrevendo parte de um poema de Fernando Pessoa (usando o heterônimo Ricardo Reis), que usou a única exceção mencionada:

 “Para ser grande,  inteiro… / sê todo em cada coisa. Põe quanto és /  No mínimo que fazes.”

 

 

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