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REFINANDO A LÍNGUA – Provérbios

REFINANDO A LÍNGUA – Provérbios
14 novembro
09:09 2013

Provérbios: 

“Um provérbio é uma frase curta, baseada em uma longa experiência.” (Cervantes) 

 

proverbioAmo tudo que a língua portuguesa traz, de forma vibrante, ao traduzir a vida e a expressão do nosso povo. É como se fosse um coração que vive retumbando de tanto amor e delícias. Pensando nisso, lembrei-me dos provérbios.

Os provérbios são simpaticamente apresentados como produtos da sabedoria popular. Essas frases feitas fazem  parte da comunicação humana desde os primórdios e, apesar de estarem relacionados com aspectos universais da língua, cada povo tem a sua forma e seus exemplos de provérbios. 

Baseado na história e cultura de cada lugar, a sabedoria popular põe-se a tirar conclusões e criar provérbios. Uma das características mais incríveis destas frases é o anonimato. Muitas tem a assinatura do criador mas a grande maioria é de autoria desconhecida. Pode-se imaginar que isso aconteça porque os provérbios são criados e propagados através da fala. Escolhi algumas pérolas chinesas (olhem só…nem parece que fazem parte da mesma cultura que abastece o nosso comércio do “R$1,99″!). 

Mas…esperem aí…eu não estava falando da nossa cultura? Sim, mas quem é que disse que a cultura brasileira não tem a ver com a cultura chinesa? Lembrem-se de que em Macau, na China  também fala-se a língua portuguesa, com certeza! Voltemos às pérolas:

“Dinheiro perdido, nada perdido; saúde perdida, muito perdido; caráter perdido, tudo perdido.” 

“A palavra é prata, o silêncio é ouro.”

“Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida.”

“A gente arruma os cabelos todos os dias, por que não o coração?”

 Outra marca dos provérbios é a forma objetiva, simples, curta e de fácil memorização. Por isso é que essas frases se perpetuam, elas contém essa facilidade e ainda traduzem filosoficamente o teor de um pensamento simples. E olha que muita gente gosta de “filosofar”, de vez em quando… Repare nesses provérbios populares:

“A justiça tarda, mas não falha.”

“Cada macaco no seu galho”

Claro que há aqueles que provocam discussões quanto às origens e verdadeiros sentidos. Um famoso professor  da língua portuguesa pesquisou e esclareceu alguns mas em outros conseguiu plantar a dúvida. Vejam só: 

Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro”

Existe bicho carpinteiro? Um bicho pode ser carpinteiro?

O correto é: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”

 

“Cor de burro quando foge”

Burro não muda de cor quando foge.

O correto é: “Corro de burro quando foge!”

 

“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.”

A batata é um tubérculo, nasce enterrada.

O correto é: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.”

 

“Quem tem boca vai a Roma”

Quem sabe se comunicar vai a qualquer lugar, é o que a gente entendia. 

O correto é: “Quem tem boca vaia Roma” (verbo vaiar)

 

“Cuspido e escarrado”

Quando alguém é muito parecido com outra pessoa.

O correto é “Esculpido em Carrara” (carrara é um tipo de mármore)

 

“Quem não tem cão, caça com gato”

Dá pra entender, dizem que o gato só faz o que quer.

O correto é: “Quem não tem cão, caça como gato.” Ou seja, sozinho.

 

Por estar na boca do povo há muito tempo, inicialmente as pessoas até dão razão e concordam com o novo jeito mas é muito difícil adotar a forma “correta” que o professor famoso apresenta.

Diante dessas pequenas modificações, houve muitas críticas de colegas de profissão. Alguns até colocaram em dúvida a autoria do texto, dizendo não ser do professor Pasquale Cipro Neto. É mais fácil criar outros provérbios do que tirar esses da cabeça do povo.

Tem até aquelas pessoas que trocam tudo. Lembram-se da Magda, do famoso “Sai de Baixo”? Ela era muito hilária, falava coisas como:

“Em briga de marido e colher não se mete na mulher.”

“Deus escreve esperto por lindas portas.” 

 

E por mais surpreendente que seja, há um  gênio da MPB que fez isso também, de forma inteligente e poética. Veja a letra de “Bom conselho” e tente lembrar os provérbios que a gente usa desde sempre. O mais lindo de tudo isso é que ele vira os provérbios pelo avesso e consegue transmitir mensagens altamente provocativas. Amo.

 

Bom Conselho (Chico Buarque)

 

“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade”

 

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