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REFINANDO A LÍNGUA. Os empréstimos do tupi-guarani no nosso dia a dia

REFINANDO A LÍNGUA. Os empréstimos do tupi-guarani no nosso dia a dia
25 novembro
17:36 2013

Os empréstimos do tupi-guarani no nosso dia a dia

 “Este é suruba!” (Jânio Quadros)

tupi  Assim como cada pessoa carrega heranças genéticas em seu corpo e jeito de ser, a língua portuguesa também é formada por várias partículas de uma genética bastante diversificada.

Uma destas partículas é a herança indígena. Várias palavras da nossa língua são emprestadas do tupi-guarani, como a palavra “suruba”, que quer dizer “bom”.

O tupi-guarani é um resumão de todas as línguas que cada povo indígena falava quando Pedro Álvares Cabral cá chegou. Só pra gente desenvolver melhor, vou contar um pouquinho da longa trajetória do nosso linguajar.

A história nos conta que os jesuítas foram os grandes “heróis” linguísticos daquela época. Claro que ninguém falou isso, eu é que estou falando, baseada nas coisas que já li. Sou chegada em super-heróis e logo tratei de achar o meu, na história daquela louca aventura portuguesa! 

Ihh… Esqueci que tem o tal do João Ramalho, um cara que naufragou por estas bandas, conviveu e aprendeu a língua indígena e foi de suma importância na História do Brasil, servindo como um verdadeiro salvador da pátria portuguesa. Bem, são muitas coisas pra contar, só vou dizer que ele é, no caso, o anti-herói (com o “plus” da malandragem). Ramalho reconstruiu sua vida junto às índias e não deixou de intermediar muitas “conversas” entre os tapuias (inimigos, aqueles que falam outra língua) e os indígenas. 

José de Anchieta, bem mais comportado, dedicou sua vida à catequese dos índios com o interesse de fazer destes, usuários da cultura branca. Vou só citar o lado bom da história, foi ele quem conseguiu fazer o primeiro livro sobre a língua indígena. O nome do livro parece com o daqueles filmes “trash” ou novela mexicana, mas é de uma importância e brilho sem igual, reparem: “A Arte de Gramática da Língua mais usada na costa do Brasil”. O religioso nem soube batizar a língua! Mas uma coisa ele fez. Em 1556, ele relacionou todos os sons, estudou e transformou em língua escrita também! Não é legal? Pra mim isso é o maior barato!  O jesuíta não viveu para ver a obra, pois esta foi publicada em Portugal, em 1595, e não deu tempo do pobre homem voltar pra terrinha! Hoje, sabendo que a língua indígena é considerada língua morta, José de Anchieta deve dar suas reviradas no túmulo!

 

Lista de frases e palavras emprestadas das línguas indígenas:

Frases: “andar na pindaíba”, “chorar as pitangas”, “ficar de tocaia”, “ficar de lenga lenga”, ” chega de nhenhenhen”

Nomes de animais: siri, cupim, jacaré, jiboia, sucuri, tatu, urubu, piranha, saúva…

Topônimos: Abaeté, Araçatuba, Serra dos Aimorés, Manaus, Sergipe, Ubá, Xingu, Ipanema, Ipiranga,

Vegetais: abacaxi, goiaba, capim, pitomba, taioba, urucum, jataí, jatobá…

 E outras mais: arapuca, arataca, arimbá, beiju, carimã, chuã, igara, jacá, jacuba, jiqui, juquiá, muqueca, ocara, paçoca, pamonha, pomonã, pari, patuá, peteca, pindacuema, pipoca, piruá, puba, samburá, sapicuá, sururuca, taba, tacuru, tapera, tapioca, tipiti, tucuruva, urupema, capenga, catapora, curumim, mandioca, piá, oi, pipoca, xará… 

A lista é enorme, mas, pesquisando e prestando atenção, vocês encontrarão muitas palavras e até hábitos do dia a dia, como: tomar banho todos os dias, andar um atrás dos outros (fila), dormir em rede, andar enfeitado, usar roupas coloridas, usar objetos de barro e cipó etc

A língua indígena é considerada como morta, mas deixou suas marcas. São como a gente, mesmo. Todos vão morrer um dia, mas os nossos descendentes serão nossas marcas neste mundo, a herança genética se encarrega de lembrar que ainda estaremos por aqui.

 

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