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REFINANDO A LÍNGUA. Miscigenação e evolução das línguas

REFINANDO A LÍNGUA. Miscigenação e evolução das línguas
28 janeiro
17:40 2014

Miscigenação e evolução das línguas

 

“Iú tá de brinqueichon uite mi, cara?”

joel santana objetivo nanuqueBom tempo atrás, Joel Santana deixou de ser zagueiro para ser um dos técnicos mais divertidos do mundo futebolístico. Depois que passou a treinar times estrangeiros, transformou-se em “referência” na comunicação com os gringos. Treinou times de várias nações com o seu inglês surgido da extrema necessidade de passar, com seu estilo paizão, todas as informações técnicas e não técnicas aos que o rodeavam. E, claro que esse despojamento todo não passou despercebido aos olhos daqueles que trabalham com criatividade para vender – os publicitários.

Joel sempre teve uma forma de expressão muito particular e ninguém mais falaria tão abertamente para o mundo todo ouvir, e continuaria sendo reverenciado como técnico internacional. Afinal de contas, quem tem o que ensinar, ensina falando de qualquer forma.

“O mundo do futebol é assim. Ele muda numa rapidez muito rápida.” Pleonasmo puro, redundância que dá vida às suas frases.

Sendo assim, as agências de publicidade descobriram uma veia muito pulsante na comunicação global. Sacaram finalmente que as pessoas não precisam apenas de regras e gramáticas complicadas para entenderem uns aos outros. Mandaram ver nas pérolas do Joel. Tudo começou timidamente numa propaganda de refrigerante em que o Joel dizia: “Pode ser? Pode ser. Pode to be? Pode to be. Tudo pode, a vida é assim.”

Depois dessa, vieram coisas bem mais boladas e “agressivas” como a série de propagandas de shampoo Head & Shouders,  sempre usando o “ingreis” e humor do garoto-propaganda Joel Santana. As imagens são muito hilárias e completam o sentido das palavras miscigenadas. Vou transcrever algumas falas e comentar alguns aspectos.

joel-santana-pode-to-be-retranca-fazendo-socialAinda not aprendeichon qual é o xampu namber uã contra caspa inde uordi?

Haáá… iú tá de brinqueichon uite mi, cara? Luqui aqui.

Caspa is not bacana.

De coceireichon is di mata.

Si o xampu não for véri gudi.

A mulhereichon vai vazar.

iú put in de rendi.

iú put from de midou.

from de fronti.

from de saidi.

Traduzindo para o português, ficaria assim:

Ainda não aprendeu qual é o xampu número 1, contra caspa, no mundo?

Aprendeichon tem partícula “-chon” no final. Claro que se criou aí, de uma forma bastante espontânea, uma referência às palavras em inglês como information, communication, transition, position, action…

No texto da propaganda, “aprendeichon” está sendo usado como verbo, mas a terminação “-tion” define substantivos em inglês. Isso é mais uma amostra de irreverência bem humorada!

Hááá…você está de brincadeira comigo, cara? Olhe aqui.

Tanto o grito assustador (hááá) quanto a frase que se segue (iú tá de brinqueichon uite mi, cara?), são marcas registradas do Joel Santana. Com certeza ele já fazia uso em português e decidiram “passar” para o inglês.

Luqui aqui fica bem mais hilário que apenas “luqui”

A caspa não é bacana,

A coceira é de matar

Se o xampu não for muito bom

A mulherada vai vazar.

A caspa não é bacana, coceira é de matar e a mulherada vai vazar são maneiras de pensar e expressar do falante brasileiro, são frases-chave no contexto. Fazem parte do repertório persuasivo da propaganda do shampoo anticaspa.

A palavra xampu é um estrangeirismo, pois tem sua origem na palavra shampoo, em inglês. No comercial, percebemos que as legendas mostram xampu com acento, enfatizando o sotaque e o estilo escrachado do texto. Convenhamos que, mesmo existindo xampu, sempre preferimos shampoo, não sei por que acaba parecendo bem mais elegante.

Mas não é só Joel Santana quem traz à tona essa necessidade do mundo todo se comunicar, mesmo não sabendo a  língua do outro. Sempre houve muita necessidade, mas hoje as pessoas lançam mão, mais à vontade, de artifícios mais “cara-de-pau”. E isso vale muito a pena, pois, no final das contas, depois de muitas trapalhadas, as coisas acabam entrando nos eixos.

Já tinha explanado em outras publicações sobre a miscigenação das línguas, como foi o caso do portunhol. Mas vou dizer aqui que a miscigenação mais incrível que vi foi a da língua japonesa. A miscigenação por lá ocorre de forma oficial. Ouve-se e lê-se em todas as mídias e em qualquer canto da ilha, a língua consideravelmente miscigenada. Quem diria, não? Para um povo que viveu tanto tempo enclausurado em sua própria cultura, isso é, no mínimo, surpreendente.

Não… Acho que não. Faz sentido, sim, se entendermos que, como não tinham contato com outros países e línguas, muitas coisas não existiam e nem tinham nomes por lá. O negócio foi importar palavras! À primeira vista, tudo isso parece ser totalmente favorável ao estrangeiro, mas não é. O que não ajuda é o sotaque dos japoneses, que faz uma simples palavra inglesa se transformar em outra que não é nem inglesa nem japonesa! Exemplo rápido? Table (teibow, em inglês), vira teburo, em japonês. Apple vira ápuro… Pode? Pode sim, tudo pode, a vida é assim.

Bem, mas isso é papo pra mais de metro…Em uma próxima oportunidade, falaremos sobre isso também. Prometo!

            Abraço gostoso!

 

 

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