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REFINANDO A LÍNGUA. Cujo – o famigerado

REFINANDO A LÍNGUA. Cujo – o famigerado
06 fevereiro
15:52 2014

Cujo – o famigerado

cujo“Dito Cujo” poderia ser simplesmente um sinônimo de “fulano”, como se lê em:

“E foi numa dessas que o relógio do cumpadi João, um cidadão por demais conhecido por aquelas bandas do Pau Fincado. Foi a conta de sumir o relógio dele para o dito cujo correr pra delegacia mais próxima e dar parte do fato.” (Rolando Boldrin em Causos – O roubo do relógio)

Mas não é só isso, não. Existem também situações em que há uma carga de hostilidade e depreciação quando alguém assim é chamado. Há um quê de antipatia  ou sentimento de desvalorização por parte de quem fala.

“Naquele arraial do Pau Fincado, havia um sujeitinho danado pra roubar coisas. Às vezes galinha, às vezes cavalo, às vezes coisas miúdas. A verdade é que o dito cujo era chegado em surrupiar bens alheios.” (Rolando Boldrin em Causos -O roubo do relógio)

Usar “dito cujo” como sinônimo de “fulano” é fácil, recorrente, pois termos com carga depreciativa são muito fáceis de memorizar e usar. Entretanto, quando o “cujo” fica sozinho e assume a classe de pronome relativo, fica mais refinado e raro de se ouvir. Pronomes relativos são aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam.

Quase não usamos “cujo” quando falamos no dia a dia, mas quando lemos textos formais, percebemos que “cujo”  ainda tem seu lugar ao sol, sim. Os testes de vestibulares sempre aplicam alguma questão referente ao nosso famigerado amigo.  Poxa, fica tão bonito e claro… É só seguir algumas regrinhas que o professor Sérgio Nogueira relacionou:

Só podemos usar o pronome CUJO quando existe uma relação de “posse” entre o antecedente e o substantivo subsequente. 

O “vizinho cujo filho” significa “o filho do vizinho (o filho dele)”.

Jamais usamos artigo definido entre o pronome CUJO e o substantivo subsequente. Falar “vizinho cujo o filho” está errado.

O pronome CUJO sempre concorda em gênero e número com o subsequente: “vizinho CUJA FILHA, CUJOS FILHOS, CUJAS FILHAS“.

O pronome relativo CUJO deve vir antecedido de preposição, sempre que a regência dos termos da 2ª oração exigir:

 “Este é o vizinho DE cujo filho ninguém gosta.”

 ( GOSTAR DE alguma coisa : “Ninguém gosta DO filho do vizinho”)

 “Este é o vizinho EM cujos filhos todos confiam.”

 (CONFIAR EM : “Todos confiam NOS filhos do vizinho”)

 “Este é o vizinho A cujos filhos fizemos mil elogios.”

 (”Fizemos mil elogios AOS filhos do vizinho”)

 “Este é o prefeito COM cujas ideias não concordamos.”

 (“Não concordamos COM as ideias do prefeito”)

 “Este é o prefeito CONTRA cujas ideias sempre lutamos.”

 (“Sempre lutamos CONTRA as ideias do prefeito”)

 Esse pronome relativo concorda sempre com o elemento posposto mais próximo, mesmo que sejam vários elementos, como no exemplo:

 Eis o rapaz cuja mãe e tia moram na mesma casa. (e não cujas mãe e tia…)

 Como forma de escapar do bicho-papão, as pessoas preferem usar o pronome relativo “que” em seu lugar:

 A mulher que o filho sumiu.

 O padeiro que as mãos são bem cuidadas.

 Vamos combinar que estas frases ficam bem mais bonitas assim:

 A mulher cujo filho sumiu.

 O padeiro cujas mãos são bem cuidadas.

Cujo é famigerado porque tem má fama causada pela dificuldade de falar orações conectadas por pronomes relativos. O ato de ler é sempre um grande trunfo em nossa escalada cultural, é através da leitura que encontramos novas e mais bonitas formas de falar. Hoje em dia, só os textos formais trazem construções assim e, infelizmente, o pronome relativo “cujo” corre sério risco de cair em desuso mas enquanto isso não acontece, é bom saber as regras que regem o seu uso.

Até a próxima!

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