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REFINANDO A LÍNGUA. Etimologia e tempos de redenção

REFINANDO A LÍNGUA. Etimologia e tempos de redenção
20 fevereiro
12:23 2014

Etimologia e tempos de redenção

A porta do submundo bem perto do paraíso das palavras! 

aaaaaaApaixonada pela língua portuguesa que sou, não resisto e, de vez em quando, dou um “rolezinho” pelo Museu da Língua Portuguesa, que fica bem ali no antigo centrão da capital paulista, no bairro da Luz.

Os arredores do prédio da Estação da Luz passaram por uma revitalização nos últimos tempos e, desde 2006, o museu está ali para presentear todos que o visitam.

Pra gente chegar, pode descer tanto na estação Luz quanto na estação Tiradentes do metropolitano, o nosso “metrô”. Preferi descer na Tiradentes, pois a caminhada é mais tranquila e bonita. Descer na estação Luz traria aquela velha imagem do centro “boca do lixo”, com seus inferninhos, trombadinhas (ladrões de carteiras), suas prostitutas e drogados de plantão. Apesar dessa situação permanecer, hoje é mais controlada.

E nada tira o meu prazer de entrar num museu tão bem cuidado, limpo, e ver coisas tão interessantes sobre a nossa língua. Logo de cara, deparei-me com a “árvore de palavras”, que conta a origem das palavras e é figura recorrente dentro da etimologia. Ela expressa o desenvolvimento da palavra como um organismo vivo em constante mudança. Para exemplificar, peguei algumas palavras corriqueiras para ver as evoluções.

Você: não é originária de outra língua. A expressão original era VOSSA MERCÊ, virou VOSMICÊ, depois VOCÊ e, um dia, pode ficar no simples “CÊ”, como alguns já falam.

Tchau: vocábulo que advém da palavra ciao, em italiano. Começou a ser usado por estas bandas através dos imigrantes italianos e é a abreviação final, depois de várias, da frase de cortesia SONO SUO SCHIAVO (“sou seu escravo” ou o nosso “seu criado”). Os italianos usam “ciao” quando se vai e quando se chega. Alguns gramáticos repudiam a nossa escrita, com t mudo no início da palavra, pois dizem que isso não é português, mas o coração do brasileiro é grande e cabe muita coisa, até um intruso t.

Obrigado é a forma reduzida de “fico obrigado a você” ou “fico devendo obrigação a você”. Se o falante é masculino, falará obrigado e se é feminino, obrigada, assim como agradecido/a. Etimologicamente, a flexão de gênero é correta, mas há quem diga que esta palavra de agradecimento já é tratada com interjeição, então daqui um tempo todos poderemos dizer somente “obrigado”. 

Obrigado vem do latim obligare (ob=a, ligare=unir, atar)

Café: no mundo árabe, o fruto cafeeiro era chamado de QUAHWAH, cujo significado quer dizer força e vigor. Depois, os turcos passaram a chamar CABEUH. No final das contas, a palavra chega a nós como CAFÉ, COFFEE em inglês, KAFFE em alemão, KOHI em japonês, KIAFEY no chinês. 

Inferno: vem do latim infernus, que derivava de inferus, que significa “o que está abaixo”, provindo de infra, abaixo.

aaaO estudo da etimologia exige muita pesquisa e seriedade, onde o “achismo” deve ser deixado de lado. Às vezes, a semelhança entre as palavras nos leva a conclusões erradas. Um exemplo é a etimologia da palavra forró. Espalharam aos quatro ventos que sua origem estava relacionada com “for all” do inglês, influenciados pelo fato de os EUA terem bases no nordeste brasileiro, durante a Segunda Guerra Mundial. Na verdade, forró é apenas uma derivação de forrobodó, que já existia há mais tempo.

Não vou negar que sempre relacionei o centro velho de São Paulo com a porta do inferno, como aquele lendário portão para o submundo – onde já na entrada sentia-se o vômito de vapores nocivos –  que foi descoberto na Turquia há um tempão. Visitando o museu, vi que os inferninhos podem estar bem próximos, mas o paraíso da língua portuguesa é maior do que isso tudo. Nesta vida, tudo pode ser transformado, sofrer uma redenção, até lugares com ares de inferno!

Até a próxima. Abraços!

 

 

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