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PALAVRA DO EDITOR: RAMON TERMINA SEGUNDO ANO DE MANDATO

PALAVRA DO EDITOR: RAMON TERMINA SEGUNDO ANO DE MANDATO
04 janeiro
09:33 2015

E lá se vai mais um pedaço de pizza.

Agora, só restam dois.

Prof. Ademir Jr.

Prof. Ademir Jr.

Um ano atrás, dia 7 de janeiro, publiquei artigo neste site sobre os acertos e tropeços do prefeito de Nanuque ao concluir seu primeiro ano de governo. Naquele momento, associei o mandato de um prefeito – não apenas o de Ramon Ferraz, mas de qualquer outro prefeito pelo Brasil afora – a uma pizza de quatro pedaços. Uma fatia acabara de ser consumida, restando três; agora, a segunda fatia é devorada. Sobram somente dois pedaços. E frios – diga-se, de passagem.

Na política, quando um prefeito assume pela primeira vez, a preocupação nos dois primeiros anos é concretizar suas promessas, seus planos anunciados durante a campanha eleitoral, ou pelo menos boa parte do que prometeu e alardeou, enquanto os dois últimos ficam direcionados às estratégias de reeleição.

Por falar em reeleição, até meados da década de 1990 os prefeitos no exercício do cargo eram impedidos por lei de concorrer imediatamente a um novo mandato. Tinham de esperar, no mínimo, um intervalo de quatro anos para uma nova candidatura. Somente em 1997 foi aprovada a lei da reeleição, e, em Nanuque, Rubem Messias Barbosa – o Rubão – foi o primeiro a encarar a peleja. E se deu mal.

hRubão apareceu como “nome novo” na política de Nanuque no início dos anos 90, e, em 1996, elegeu-se prefeito com a considerável soma de 11.288 votos, equivalente a 50,1% do total apurado nas urnas. Assumiu em 1997 e cumpriu mandato até 31 de dezembro de 2000. Em termos de realização de obras de infraestrutura, calçamento e desempenho setores essenciais, como Educação, Saúde, Assistência Social, Esportes etc., seu mandato foi positivo. Por outro lado, ele demonstrou inabilidade na condução política do governo, que perdia aliados a cada momento, além de equívocos administrativos.

Mesmo aconselhado a não concorrer, com base em pesquisas de opinião pública, Rubão teimou e peitou a parada. Foi candidato na raça, fez campanha, levou a sério a meta de reeleição, mas recebeu uma resposta negativa acachapante do eleitor. Dos mais de 11 mil votos obtidos em 1996, Rubão, em pleno mandato, teve de engolir amargo não mais que 4.277 votos (18,9%), ficando em terceiro lugar na disputa de 2000, praticamente um terço do que recebera no pleito de 96. Depois daquele episódio, decidiu não concorrer a nenhum cargo público.

A única memória alegre de reeleição fica mesmo com o ex-prefeito Armando Rodrigues Gomes – o Dr. Armando. Eleito vice-prefeito em 2000, ele assumiu a Prefeitura em abril de 2003, decorrente da cassação de mandato do titular Jorge Miranda. Governou os oito meses restantes de 2003 e todo o transcorrer de 2004. Candidatou-se à reeleição no mesmo ano e foi vitorioso com 9.778 votos, derrubando dois ex-prefeitos – Teodoro Saraiva Neto, que ficou em segundo lugar, com 7.620 votos, e Nide Alves de Brito, terceiro lugar, com apenas 4.697 votos. De quebra, Armando ainda saiu bem avaliado pela população, a ponto de assumir a coordenação da campanha de 2008 emprestando seu apoio a Nide, elegendo seu sucessor.

Nide, por sua vez, como prefeito, não pôde disputar a reeleição por ter praticado trapalhadas politicas e troca indevida de partido às vésperas das eleições de 2012. Ficou impedido de concorrer.

Ramon: e lá se foi metade do tempo

Ramon: e lá se foi metade do tempo

De volta ao universo de Ramon Ferraz, qualquer cidadão que dele se aproximar e abordar o assunto reeleição, ouvirá do interlocutor assertivas firmes, fortes e seguras, acompanhada de uma fisionomia tranquila, de quem navega em ondas de otimismo e autoconfiança. 

Ramon foi eleito em outubro de 2012 com 10.602 votos (50,18% do total) tremulando a bandeira da “mudança”, palavra de ordem de sua campanha eleitoral, que projetava no planetário da política um simpático senhor, com pinta de jovem, aos 42 anos de idade, mas de trajetória ligada unicamente a de um profissional da odontologia, distante de quaisquer experiências anteriores no cipoal político-administrativo, como de secretário municipal, vereador ou coisa parecida, ou de militante partidário. Nunca foi de se envolver em política, até ser candidato pelo PSL, saindo-se vitorioso na primeira tentativa.

Concluindo o segundo ano de mandato, ainda não tenho em mão, nem sobre a mesa, nenhuma pesquisa de opinião pública recente – ação que pretendo dinamizar logo depois do carnaval –, mas na lida diária de profissional da comunicação e, de quebra, também de professor-sociólogo por formação, nas veredas de filas de banco, compras de supermercado, cerveja em boteco, mingau na feira e nas conversas tantas em nosso doce dia a dia em Nanuque, sinto que o céu limpinho, de azul total e calor que compõe o cenário da cidade, contrasta com as nuvens carregadas, bem escuras, com tempo sujeito a chuvas e trovoadas, que pesam sobre a cabeça do prefeito, quando se fala da aprovação do seu governo, ainda que se tenha tal panorama na linha da pressuposição. Repito: é urgente uma pesquisa séria para sair do terreno da mera especulação ou achismo.

Nas minhas impressões, o que ouço não é muito animador, e até mais ruidoso do que se vivenciava nas eleições de 2000, durante o governo de Rubão. Arrisco algumas considerações pontuais, como, por exemplo, o fato de que, em 1998, no segundo ano de mandato, Rubão ainda fez o deputado federal majoritário do Município, com expressivos 4.099 votos. Agora, nas eleições de outubro passado, Ramon e todos os seus aliados políticos se esforçaram para garantir 1.043 votos para o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB).

O mesmo Abi-Ackel, quatro anos atrás, em 2010, recebeu aqui 1.079 votos numa campanha coordenada exatamente pelo ex-prefeito Rubão. Traduzindo: quatro anos depois, novamente com Rubão atuando de coordenador da campanha, mais o “peso” que teoricamente deveria representar o apoio de Ramon, o deputado acabou ficando com 36 votos a menos. Apostou-se na soma, deu subtração.

São apenas traços sintomáticos, indicadores, de que alguma coisa não vai bem no reino da Pedra do Bueno.

Numa rápida vassourada, verifica-se que Ramon encerra o segundo ano até relativamente melhor que o primeiro. Conseguiu pagar o 13º salário, empreitada que lhe valeu um arranca-rabo com o presidente da Câmara, Rivaldo Monteiro da Silva, e pôde apresentar algumas obras de calçamento de ruas e até iniciar, mesmo timidamente, a tão aguardada urbanização da Avenida Mucuri. Nada de maior visibilidade administrativa e/ou eleitoreira.

Paralelamente, alguns setores do governo ainda patinam sobre o frágil gelo do inócuo, enquanto se assiste a retiradas estratégicas de partidos que o apoiaram em 2012 e até de outros que, mesmo adversários no pleito, chegaram a ser convidados a compor o governo nos primeiros meses.

Em termos de Brasil, no plano estrutural e conjuntural da política econômica, as expectativas para 2015 não são das melhores, e as prefeituras irão sofrer muito com o provável fechamento das torneiras para obras e investimentos governamentais. E o povo sempre quer ver obras, quer ver e sentir ação governamental, atitudes e iniciativas do chefe de governo. Ramon vai ser obrigado a demonstrar habilidade e também vai precisar até contar com o fator sorte, se, de fato, estiver mesmo predisposto a disputar a refrega de 2016.

Enquanto isso, fermentam-se ali e acolá as oportunas e naturais pré-candidaturas a prefeito, figuras carimbadas da política misturando-se a novos nomes, esquentando a panela que ganhará pressão daqui a um ano, um ano e pouco.

As duas fatias restantes da pizza já precisam de uma aquecida, de forno a gás ou microondas, tanto faz.

E a história segue feito “carro alegre, cheio de um povo contente, que atropela, indiferente, todo aquele que a negue”, como no clássico “Canción por la unidad de latinoamerica”, de Pablo Milanes e Chico Buarque, que vez por outra cato no meu baú de LPs pra ouvir tomando cerveja lager.

PROF. ADEMIR RODRIGUES DE OLIVEIRA JR.

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